sexta-feira, 29 de julho de 2011

Às religiões corresponde escutar a Parapsicologia.

TEMPLO ENDEMONINHADO?

Em maio de 1981, a agência de notícias científicas “National Enquirer” (Pesquisador Nacional) espalhava pelo mundo os acontecimentos na Igreja de Saint Mark, em Cheyene, EUA. “Figuras envoltas em sombras aparecem e desaparecem no ar (Fantasmogênese em Parapsicologia); imensos sinos soam sozinhos e um órgão começa a tocar repentinamente (Telecinesia); misteriosos passos percorrem o teto (Tiptologia).

Perante esses estranhos fatos que não pode negar (é a solução mais cômoda de muitos cientistas estabelecidos: “sábios muito limitados”), o Reverendo Eugene Tood –continua o “National Enquirer”- não teve dúvidas de que a igreja estava infestada por demônios e espíritos maus”. Por quê? Porque “não consigo achar nenhuma explicação racional”.
Então, não explique!


ISSO SÓ PROVA DESCONHECIMENTO
. Argumenta o parapsicólogo e teólogo Herbert Haag: “De nada serve exclamar pateticamente que vemos todos os dias, com nossos próprios olhos, e padecemos em nós mesmos, a ação do Diabo. Não se pode aduzir a experiência como meio de prova em Teologia. Nem todos os teólogos têm compreendido claramente este ponto, quando tratam de demonstrar a existência do Diabo com argumentos empíricos ou com argumentos filosóficos”. Os “argumentos empíricos”, os fatos, antes devem ser retamente analisados pela ciência. Os “argumentos filosóficos” devem surgir apoiando-se nos fatos cientificamente analisados.


O magnífico teólogo (e muito interessado pela Parapsicologia) Padre Karl Rahner, jesuíta, reconhece que temas como “a sutil corporeidade dos diabos, sua ciência e poder, a possessão demoníaca, as bruxas, a feitiçaria, a adivinhação etc.” não passam do estágio de “teologúmena” (disquisições de teólogos), “porque não existe um autêntico ponto de partida teológico para sua solução”.


Esta é a posição verdadeiramente religiosa. A Teologia, a Religião é em relação com a Doutrina sobrenatural, revelada. Qualquer afirmação sobre o tema demonologia deve partir do campo da ciência, “da história da Salvação” (como afirma a excelente coleção Mysterium Salutis), “da ciência experimental” (como afirma o grande teólogo Darlapp), da “história da humanidade” (teólogo Shierse), etc., etc. Isto é, da Parapsicologia por tratar-se de fenômenos incomuns. Lamentavelmente muitos teólogos, a maior parte, ainda não “se enterraram”. Há, sim, grandes teólogos que são também grandes cientistas, especialmente em temas relacionadas com a Bíblia ou a Religião em geral. Inclusive, e precisamente por seu interesse para a Religião, os melhores parapsicólogos são padres.


“Vemos todos os dias... a ação do Diabo”. Rito secreto no Candomblé pretendendo incorporar os espíritos da sexualidade. Quando descobriram o fotógrafo, oculto, quase o lincham. E o prenderam... Uma hora mais tarde tudo era desenfreada orgia sexual. E as “possessas” ofereciam seus encantos provocativos ao fotógrafo, Mimmo Cattarinich. ch.

SÁBIOS MUITO LIMITADOS.
Após a colocação daquela premissa, “teologúmena”, Rahner acertadamente frisa que a Parapsicologia “topa com o ceticismo de homens guiados pelo empirismo das ciências naturais”.

Homens formados na repetibilidade e regularidade dos fenômenos físico-químicos facilmente são levados a acreditar que tudo aquilo que não é regular e repetível não é válido.


Isso é uma deformação profissional. O verdadeiro cientista deve encarar a realidade como é, não como alguns cientistas do puramente material gostariam que fosse. Não é científico acomodar a realidade ao método de estudo em que eles se habituaram, senão que o científico é acomodar o método de estudo às exigências da realidade.

ERRADO RESPEITO À TEOLOGIA.
Além da deformação pela ciência materialista, muitos médicos, físicos, psicólogos e outros cientistas não entraram na pesquisa dos fenômenos parapsicológicos, que realmente a eles pertencem, por terem-se acovardado perante um pretenso respeito à Religião.

O teólogo e parapsicólogo padre Jean Lhermitte observa: Um médico, psicólogo etc. com conhecimentos de Parapsicologia “como é que pode estar à altura de julgar estados cujo conteúdo aparentemente lhe ultrapassam? Pelo fato de o médico (etc.) qualificado (inclusive no campo da Parapsicologia, no incomum) possuir luzes sobre a patologia humana, das quais o teólogo (o exorcista, o padre, o pastor, o agente de pastoral...), enquanto tais, são desprovidos”.


É verdade histórica que o recurso à Religião paralisou as pesquisas científicas sobre os fatos parapsicológicos. Erro da ciência ao marginalizar esses fatos incomuns, irrepetíveis à vontade... Erro da religião ao assumi-los para si.


Como também é incabível com fatos observáveis argumentar no campo da fé, das verdades sobrenaturais, inobserváveis...


“Espetáculo da Loucura Humana”, fragmento de um quadro de Augusto Barthelemy Glaise. Representa a doutrina defendida numa Encíclica! (de Gregório IX, Papa de 1227 a 1241), a respeito do Sabbat das bruxas.

NA ÉPOCA DA BRUXARIA. Essa indevida mistura de planos era de praxe na época da bruxaria, mas ainda hoje ressoa entre muitos teólogos, pastores evangélicos e toda classe de seitas.

Um monge italiano, frei Francesco Maria Guazzo (Guaccius), muito considerado na sua época, escrevia em 1608 num livro pelo que se orientavam os inquisidores: “É claro como a luz do dia que os demônios transportam as bruxas em carne e osso ao Sabbat, pelos ares (...) Os que afirmam que tudo isso não é verdade, senão que é sonho ou ilusão, certamente pecam por irreverência à nossa mãe, a Igreja (...) Portanto, ou a Igreja está no erro, ou o estão os que mantêm a crença contrária”.


Respondo. Argumentação completamente errada. Não se trata de doutrinas, inobserváveis, sobrenaturais, da fé, senão de fatos do nosso mundo. Trata-se de saber se tais fatos são históricos e analisar os fatos à procura das suas causas. Neste tema a Igreja, a Teologia, a Pastoral, as Religiões e seitas devem seguir o ditame da Ciência, da Parapsicologia.

Uma das petições mais fundamentais do Concílio Vaticano II, especialmente na constituição “Gaudium et spes” (Alegria e esperança), é a recomendação do diálogo constante com a ciência. Os líderes religiosos precisam da colaboração daqueles que “sejam ou não crentes, conhecem a fundo as diversas instituições e disciplinas. Os mais recentes estudos e as novas descobertas das ciências (...) suscitam problemas novos, que trazem consigo conseqüências práticas e inclusive reclamam novas pesquisas teológicas (...) Há que reconhecer e empregar suficientemente no trabalho pastoral (...) os descobrimentos das ciências profanas, especialmente em psicologia e em sociologia, levando assim os fiéis a uma mais pura e madura vida de fé”.


E A AUTORIDADE DA IGREJA? Não é incumbência da Bíblia, nem de Cristo, nem dos Apóstolos, nem da Igreja, nem do Papa... corrigir os erros científicos das diversas épocas em que escreveram ou pregaram o “Reino de Deus”. Usaram a cultura, ou lendas e erros científicos da época como instrumento de linguagem para transmitir a Revelação.

Entrar no campo da ciência foi o erro que a Igreja cometeu, por exemplo, contra as afirmações astronômicas de Galileu. “Na Bíblia se afirma (...) que Josué parou o Sol!”. Portanto, é o sol que gira ao redor da Terra, a Terra não se move. “Eppure si muove”: tinha razão Galileu Galilei.

Galileu Galilei perante o Santo Oficio. Mas tinha razão Galileu.

O papa João Paulo II, em 28 de outubro de 1980, reabilitou Galileu e reconheceu que a Igreja saiu do seu campo. Não se pode invocar em ciência a Doutrina revelada.

E no dia 16 de novembro de 1980, todos os jornais comunicavam que João Paulo II, ao visitar a Alemanha, no seu primeiro discurso, no aeroporto, diante das autoridades, pediu perdão aos cientistas pelos erros cometidos pela Igreja quando, apoiada na Bíblia e na Teologia, pronunciou-se como se fosse mestra suprema também na interpretação de fatos observáveis do nosso mundo.


No pedir perdão, evidentemente deve-se incluir o propósito de emenda... Esperamos que na interpretação dos fenômenos parapsicológicos não teimem alguns teólogos em não escutar e contrariar a Parapsicologia...


Entre os católicos, só no fim do século XIX e começo do XX o frei dominicano Réginald Garrigou-Lagrange, fundador da “École Biblique” de Jerusalém, começou a servir-se da ciência na interpretação da Bíblia. Concretamente dos diversos gêneros literários E foi duramente combatido. Durante todo um decênio, o padre Lagrange caiu em desgraça junto ao Vaticano. Mas por fim, o método não só foi reconhecido, senão proclamado obrigatório por Pio XII.


O Concílio Vaticano II não só acenou para os gêneros literários, como também claramente frisou a necessidade de levar em conta outros ramos da ciência, quantos possam interessar para melhor compreensão da realidade que aparece na Bíblia ou que, de alguma maneira, se relaciona com a fé. “Entre outras coisas há que atender aos gêneros literários (...) ou a outras formas de falar. Convém, também, que o intérprete pesquise o sentido (...) em cada circunstância, segundo a condição do seu tempo e de sua cultura”.


Repito mais uma vez: A Bíblia não são livros de Ciência humana, ou concretamente de Parapsicologia. Ensinam Doutrina sobrenatural, inobservável, servindo-se como instrumento de linguagem, da cultura (mesmo erros e lendas) das diversas épocas em que foi escrita.

E A AUTORIDADE DE CRISTO? Jesus Cristo, alem de ser Deus, era também realmente homem. Jesus, como Deus não podia morrer, mas morreu como homem; teve fome, teve sede, teve pavor e tédio até o suor de sangue... como homem. E “Jesus crescia em estatura e em sabedoria” (Lc 2,52): é claro que quando perguntava o fazia com sinceridade porque, como homem, não sabia.

Pode-se afirmar com segurança que Cristo, como homem, tinha desconhecimento científico e concretamente de Parapsicologia. Encomiasticamente destaca o Dr. Allan W. Watts (Membro da “Academia Americana de Estudos Orientais”): “Entre os quatro Evangelhos canônicos e os evangelhos apócrifos há uma enorme diferença, é que nos primeiros Jesus é sempre um homem, enquanto que nos últimos sua condição humana se perde na divindade. Seu conhecimento humano não atingia o onisciência divina. Era limitado. Era impossível para ele saber, por exemplo, que Moisés não escrevera o Pentateuco”.

Em várias passagens evangélicas Jesus aparece dentro da mentalidade cultural daquele tempo. Assim, por exemplo, ele aparece aceitando que a Terra é plana (Mt 24,27; Mc13,27) e centro do universo (Mt 24,29; Mc 13,24s.); que o sol nasce ou se levanta (Mt 5,45); que o grão de trigo morre após semeado (Jo 12,24); que a semente da mostarda é a menor das sementes da Terra (Mc 4,31), mas que quando semeada, cresce até converter-se na mais alta das árvores (Mc 4,32) (alguns biblistas em vez de “árvores” traduzem por “hortaliças”, com o que a contraposição perderia sentido, além de que não abrigaria as aves!: Mc 4,32b).

Se na interpretação dos outros fatos Jesus se mantém dentro dos conceitos judaicos do mundo, por que haveria de se afastar de tais conceitos na interpretação dos fenômenos chamados demoníacos? Aos satanistas, umbandistas... e demais médiuns que se acham incorporados por demônios ou maus espíritos, Cristo os trataria como possessos pelo demônio... 


Na Umbanda, Macumba, Candomblé etc. quando não podem sacrificar crianças, sacrificam animais.

Portanto, em questões científicas, não há como invocar a autoridade de Cristo. Não se pode responsabilizar a Cristo pelos erros científicos da sua época. Responsável é a incultura. Responsáveis –sem culpa, por ignorância– foram toda classe de teólogos e pastores que pretenderam aplicar a Bíblia à interpretação de fatos.


RELACIONADO, NÃO RELIGIOSO. Muitos teólogos e pastores afirmam que a Parapsicologia não tem condições de explicar a ação demoníaca, porque é um tema religioso.

Respondo: Meros preconceitos herdados, sem reflexão. Permito-me negar com todo convencimento. Devo repetir até a saciedade, porque é muito importante: São fatos do nosso mundo. Relacionado, sim, mesmo que só fosse pela opinião, errada secular, mas não tema propriamente religioso.


Mesmo que a Parapsicologia não soubesse explicar esses fatos, não bastaria tal desconhecimento para por isso considerá-los tema religioso. Como fatos históricos e observáveis, embora incomuns, do nosso mundo e relacionados com o homem, continuariam a ser tema de pesquisa pela Parapsicologia. Para atribuí-los ao demônio não bastaria não saber explicá-los, haveria que demonstrar que de fato foi por poder demoníaco.


É claro, interessa à Teologia, como todos os fenômenos parapsicológicos, mesmo que só fosse porque sempre foram interpretados como coisas do além: demônios, mortos, exus, orixás, fadas, musas, larvas astrais... Mas tais opiniões seculares deveriam haver sido demonstradas...


O teólogo e grande parapsicólogo jesuíta, padre José De Tonquedec argumenta: Não tratamos do “sobrenatural essencial (...), o sobrenatural propriamente dito (...) totalmente inacessível à ciência”. A suposta possessão demoníaca, ou qualquer outro acontecimento supostamente do demônio é, no máximo, “sobrenatural modal”: apresenta sinais de valor comprovatório que devem ser estudados antes de atribuir o fato ao sobrenatural.


É lúcida a advertência de João Batista Van Helmont (1577-1644), o mais importante discípulo de Paracelso. Contra o padre jesuíta que queria reservar à Teologia o diagnóstico da intervenção demoníaca, Van Helmont lembrou que “os teólogos devem ocupar-se das coisas sobrenaturais, e os naturalistas das coisas da natureza”. A verificação histórica dos fatos demoníacos e a verificação de toda e qualquer hipótese explicativa pertence “aos filhos da natureza”. O teólogo, o exorcista, os pastor evangélico... não pode invocar a autoridade da Religião. A Ciência, isto é a Parapsicologia por tratar-se de fenômenos incomuns, está no seu próprio campo.


Sexualidade e sacrifícios de animais (ou de pessoas!) vai junto em todo tipo de Satanismo ou “incorporações” de espíritos...

NECESSIDADE DA PARAPSICOLOGIA.
Com toda evidência são falhos livros de demonologia como o recente” do jesuíta padre Juan B. Cortés, ou como o já clássico do padre Corrado Balducci. O Pe. Cortés en su “Proceso a las posesiones y exorcismos”, sua tese doutoral em Teologia, dedica longos capítulos à Psicologia, à Psiquiatria..., nem uma única vez nomeia a Parapsicologia! Por sua parte, Monsenhor Balducci no seu “Gli Indemoniati” (traduzido a várias línguas, em espanhol com o subtítulo: “O Diabo (...) existe e se puede reconocer lo”, recomenda, sim, a assistência do cientista junto ao exorcista, mas acrescenta: “Pretendemos evidentemente falar do médico e do psiquiatra, não do parapsicólogo pela raridade de se encontrarem tais cientistas”.

Completamente absurdo. A raridade de parapsicólogos não é desculpa. Se não encontra bons parapsicólogos, então não queira julgar, assim deixa sem explicação os principais fatos em que pretende apoiar sua tese. Sem Parapsicologia não pode objetivamente analisar as adivinhações (Psi-Gamma: Telepatia, Precognição etc.), movimentos de objetos sem contato (Telecinesia), falar em línguas desconhecidas (Xenoglossia ou só Glossolalia), e tantos outros fenômenos parapsicológicos, destacadamente a feitiçaria (Subjugação Telepsíquica) e erotismo desencadeado, que se tomam como argumentos principais –ou únicos– de pretensas possessões demoníacas ou intervenções do Diabo.


AINDA NÃO EXPLICADOS?
D. Zaehringer afirma acertadamente que da Teologia nada se pode tirar a respeito de demonologia. Reconhece: Impõe-se estudar os fenômenos parapsicológicos, isto é, “os processos em que atuam certas forças desconhecidas (...) ainda não explicáveis com os métodos científico-psicológicos e nos quais se produzem, não poucas vezes, estranhos efeitos: feitiçaria, magia, predição, espiritismo etc.” Mas acha o famoso teólogo que “os resultados da pesquisa moderna não são motivo suficiente para negar o influxo do demônio em todos os fenômenos ocultos”. Assim pretende que a existência dos demônios se fundamenta na “experiência de sua atividade”.


O raciocínio certamente está errado, e desprestigia a respeitada coleção “Mysterium Salutis” (Mistério da Salvação). Se reconhece que não há base teológica, o fato de a Parapsicologia não saber “ainda explicar os fatos” (supondo!!) não autorizaria deduzir que é o demônio. Se não pertence à Teologia e não se sabe explicar parapsicologicamente, não se explique! Como freqüentemente se afirma e todos deveriam reconhecer: “Por mais estranha e extraordinária que pareça uma hipótese natural, não deve ser omitida nem desprezada, pois cem vezes mais estranha e extraordinária seria uma intervenção extranatural”.


Pe. Oscar G- Quevedo S.J

Filosofia da Religião

A necessidade que o Ser Humano tem de tentar explicar o absoluto levou a filosofia a estudar a religião. A Filosofia da Religião estuda a consciência e a compreensão que o homem faz do absoluto, sendo o seu objeto de estudo a Religião.

Religião, entre várias definições, é onde o homem se revê como criado por algo Maior que ele. A religião trata da relação que o homem tem com o Divino e de suas diversas realidades. Devemos lembrar que existe uma pequena diferença entre Filosofia da Religião e Teologia, a primeira vai ter como objeto de estudo a própria Religião, enquanto a segunda terá como objeto de estudo o Divino.

A Filosofia da Religião surgiu na antiga Grécia, da constante do homem em perguntar pela vida na totalidade e a formular a questão de Deus, ser supremo e Divino.

O Homem Moderno questiona não mais, somente, o Supremo, mas sim a realidade através da razão e na experimentação científica. Passamos a dispensar a causa primária "divina", passando em seguida para uma visão do Mundo Religioso a partir da posição negativa ou positiva de Deus.


Cícero Moreira dos Santos
Estudante de Teologia

Deus Nas Mais Variadas Crenças

Teísmo: Doutrina que afirma a exigência de Deus. Deus é encarado, pelos teístas, como uma Pessoa (o que significa que a sua relação com o ser humano adquire uma carácter pessoal). Trata-se de um Deus perfeito, único e transcendente, criador e conservador do universo. Os Teístas admitem que deus governa o mundo, considerando ser possível uma demonstração racional da sua existência.

Deísmo: Posição filosófica que afirma a existência de Deus, com base na revelação, da graça, dos dogmas, dos milagres ou da relação pessoal com o ser humano. Deus, para os "deístas" é um ser supremo, criador do universo, à qual é negada a sua intervenção no mundo posteriormente à criação.

Ateísmo: Posição filosófica que nega a existência de Deus e de qualquer realidade que se possa considerar natureza divina.

Agnosticismo: Posição filosófica, que defende que não é possível o Homem saber se Deus existe ou não. O agnosticismo advoga a suspensão do juízo e da crença relativamente àquilo a que a razão e os sentidos não têm acesso.

Fideísmo: Doutrina que sustenta a incapacidade da razão humana para atingir determinadas verdades, as quais só são acessíveis mediante a fé. Deus, segundo os "fidealistas" só é acessível para quem possui fé.

Panteísmo: Posição filosófica segunda a qual Deus e o mundo são a mesma realidade. Deus e o mundo identificam-se . Segundo o Panteísmo Deus é tudo, ou tudo é Deus.


Cícero Moreira dos Santos
Estudante de Teologia

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Provas Metafísicas da Existência de Deus

Podem-se distinguir dois grupos de provas da existência de Deus: o das provas metafísicas e o das provas morais, conforme estas provas partem da realidade objetiva do universo, ou da realidade moral. Na realidade, toda prova de Deus é metafísica, uma vez que a existência de Deus não é, propriamente, objeto de apreensão intuitiva e não pode ser demonstrada a não ser com a ajuda de princípios metafísicos. É possível, contudo, e ressalvada esta observação, conservar a divisão em provas metafísicas e provas morais.
ART.    I.    OBSERVAÇÕES GERAIS SOBRE AS PROVAS METAFÍSICAS
1. A experiência, nas provas metafísicas. — Estas provas também são chamadas muitas vezes provas físicas, por assinalar o fato de se apoiarem na experiência objetiva. Mas toda prova da existência de Deus, seja metafísica ou moral, deve necessariamente partir dos dados de experiência, quer dizer, deve ter sua origem ou seu ponto de apoio nos seres e fatos concretos que a experiência nos revela, para elevar-se daí a um Ser real, sem o qual estes seres e estes fatos e todo o universo permaneceriam inexplicados e inexplicáveis.
202      2. Visão geral das provas metafísicas. — Antes de expor os diversos argumentos, é útil tomá-los em conjunto, de forma sintética, a fim de tornar mais claramente acessível à inteligência o que constitui o eixo comum de uns e outros.
a) O fato do condicionamento universal. Tudo o que vemos em torno de nós, e tudo o que a ciência, cada vez mais, nos ensina, aparece-nos como um encadeamento de seres ou fenômenos que se sucedem e se imiscuem uns nos outros e assim formam séries que têm os seus anéis sòlidamente articulados. É a isto que podemos chamar fato do condicionamento universal, pelo qual todos os seres e todos os fenômenos do universo encontram sua condição, quer dizer, sua causa ou razão de ser, num outro ser ou outro fenômeno.
b) A causa primeira incondicionada. O princípio que nos orienta neste ponto é o de que, de condicionado a condicionante, é preciso necessariamente chegar a um princípio ou a uma causa absolutamente primeira, absolutamente incondicionada e, conseqüentemente, colocada fora da série causai. De nada adiantaria, com efeito, prosseguir o infinito, uma vez que a série causai, mesmo concebida como infinita, seria ainda condicionada no conjunto, quer dizer, composta unicamente de intermediários que transmitissem simplesmente a causalidade. Na ordem causai, é o primeiro termo incondicionado que produz tudo, pois o resto não tem por função senão transmitir o movimento ou o ser. (Um canal, por mais longo que seja, não é a explicação da água que nele circula; apenas a fonte explica a corrente. Da mesma forma, não se explica o movimento das bolas de bilhar, multiplicando o número das bolas, mas unicamente recorrendo, qualquer que seja o número de bolas, à mão, que é a causa primeira do movimento que as bolas transmitem umas às outras.)
203 c) A causa universal absolutamente primeira. Nossa investigação só pode terminar numa causa única e por isto mesmo universal, pois a causa absolutamente primeira não pode ser senão única. Se ela fosse múltipla, seria necessário supor que as causas absolutamente primeiras são independentes umas das outras (senão, elas não seriam absolutamente primeiras). Ora, esta suposição é incompatível com a unidade e a ordem que reina no universo, e inconciliável com as exigências da razão, para a qual o inteligível, o ser e o uno são convertíveis. Se assim não fosse, seria necessário admitir que a lei absoluta das coisas não coincide com a de nosso pensamento e que, apesar do absurdo ser inconcebível, pode contudo constituir o cerne das coisas. Ora, nisto existe uma incompatibilidade radical, uma vez que, como já vimos  na Crítica  do conhecimento, os princípios da razão não são nada mais do que as próprias leis do ser.
É necessário, portanto, concluir que só existe uma Causa absolutamente primeira e que esta Causa, que, pela própria definição (sendo absolutamente primeira) não depende de nenhuma outra e domina todas as séries causais, deve ser um Ser necessário, quer dizer, de tal ordem que não possa não ser, exista por sua própria essência e tenha em si a razão total de sua existência.
204      3. Objeção kantiana. — Kant levantou contra o valor das provas da existência de Deus uma objeção geral que devemos examinar aqui. Todas estas provas, diz ele, apóiam-se no princípio da causalidade, pelo fato de que procuram mostrar que Deus é causa do universo. Ora, o princípio da causalidade não tem valor a não ser na ordem da experiência sensível. As provas de Deus são, portanto, ineficazes.
A esta objeção devemos opor o seguinte: em primeiro lugar, que o princípio da causalidade, como nós o empregamos aqui, não nos serve mais do que para provar que o universo exige uma causa, e isto em virtude mesmo do que apreendemos no universo, e de forma alguma para definir o que é ou deve ser em si esta causa, — depois, e de acordo com o que estabelecemos na Crítica do conhecimento, que o princípio de causalidade não é uma-forma subjetiva, quer dizer, a priori e arbitrária, de nossa razão, mas uma evidência objetiva, apreendida no próprio ser dado à experiência, e por conseguinte válida proporcionalmente para a universalidade do ser. Segue-se que, ao contrário do que afirma. Kant, o uso transcendente do princípio de causalidade é legítimo-e rigorosamente válido.

ART. II.    AS CINCO  VIAS
205    Uma vez que se aprendeu bem o esquema geral das provas, físicas (ou metafísicas) da existência de Deus, é fácil compreender os cinco argumentos (ou as cinco vias que conduzem a Deus) propostos por Santo Tomás. Estes argumentos partem das diferentes ordens de condicionamento ou de encadeamento que podemos observar no universo, e cada um nos conduz ao mesmo Princípio absortamente primeiro, que é Deus.
§ 1.   Prova pelo movimento
Santo Tomás considera esta a prova mais manifesta de todas. Para bem compreendê-la, é importante ter bem presentes ao espírito ao mesmo tempo a noção de movimento e o princípio geral em que se baseia a prova.
1.    O princípio do argumento.
a)         A noção de movimento. O termo movimento não designa apenas o deslocamento de um lugar para outro, mas, em geral, toda passagem da potência ao ato, isto é, de uma modalidade de ser a uma outra. Como vimos em Cosmologia (73), o que há de essencial no movimento é propriamente a passagem enquanto passagem, o que faz do movimento uma realidade que participa a um tempo do ato e da potência. O movimento é, então, o sinal e a forma do que se chama em geral o vir-a-ser.
b)         A inteligibilidade do vir-a-ser. Toda a questão estará então em descobrir o que torna inteligível (quer dizer, o que explica) o vir-a-ser. Para isto vai-se recorrer ao princípio, estabelecido na Ontologia (194), segundo o qual "tudo o que se move é movido por outro", quer dizer que nada passa da potência ao ato a não ser sob a ação de uma causa já em ato, o que significa, mais resumidamente, que nada pode ser causa de si mesmo.
2.         O argumento. — Em virtude do princípio precedente, Santo Tomás estabelece que o movimento exige um primeiro motor (o que não é mais do que uma aplicação do princípio geral da inteligibilidade do vir-a-ser). "Com efeito, diz ele, é evidente (e nossos sentidos o atestam) que, no mundo, certas coisas estão em movimento. Ora, tudo o que está em movimento é movido por um outro. É impossível que, sob o mesmo aspecto, e do mesmo modo. um ser seja a um tempo movente e movido, quer dizer que se mova a si mesmo e passe por si mesmo da potência ao ato. Logo, se uma coisa está em movimento, deve-se dizer que ela está movida por uma outra. E isto porque, se a coisa que move por sua vez se move, é necessário, por outro lado, que ela seja movida por uma outra, e esta por uma outra ainda. Ora, não se pode ir assim ao infinito,  porque não existiria  então  motor primeiro, e daí se seguiria que não existiriam tampouco outros motores, pois os motores intermediários não movem a não ser que sejam movidos pelo primeiro motor, como o bastão não se move a não ser movido pela mão. Logo, é necessário chegar a um motor primeiro que não seja movido por nenhum outro. E este primeiro motor é Deus."
3.    Objeção. — Certos filósofos julgaram poder fugir a esta conclusão admitindo uma série infinita e eterna de motores e móveis. Se o mundo e o movimento, pensam eles, são eternos, não há por que procurar um primeiro motor.
Mas Santo Tomás responde que esta objeção não poderia atingir o argumento, porque não o toma no seu verdadeiro sentido. Com efeito, o argumento manteria toda a sua força na hipótese da eternidade do mundo, uma vez que o que se considera não é a série de motores acidentalmente subordinados no tempo, mas a série de motores atualmente e essencialmente subordinados: atualmente, a planta cresce, e seu crescimento depende do Sol; mas o Sol, de que depende? Seu movimento atual, de onde provém? Se o recebe de um outro astro, este astro, por sua vez, de onde recebe atualmente o seu movimento? É impossível prosseguir ao infinito, porque isto seria suprimir o princípio e a fonte do movimento, e, portanto, o próprio movimento. Ora, o movimento existe. Logo, existe um primeiro motor. E se o mundo fosse eterno, seu movimento exigiria eternamente um primeiro motor.
4.    Corolários. — Da noção de primeiro motor imóvel, quer dizer, de um ser imutável na perfeição que lhe pertence por sua própria essência, podem-se deduzir imediatamente os corolários seguintes:
a) O primeiro motor imóvel é infinitamente perfeito. Com efeito, toda mudança implica imperfeição, uma vez que mudar é adquirir o ser que não se tem. Se, pois, o primeiro motor é absolutamente imóvel é que ele possui toda a perfeição, quer dizer, a plenitude do ser.   Em outras palavras,  ele é Ato puro.
b) O primeiro motor imóvel é um ser espiritual, pois a matéria é corruptível, portanto essencialmente imperfeita. Sendo espiritual, o primeiro motor deve ser também inteligente e livre, pois inteligência e liberdade são propriedades essenciais dos seres espirituais.
c)         O primeiro motor imóvel é eterno, uma vez que é absolutamente imutável.
d)         O primeiro motor imóvel é onipotente, pois, sendo princípio do movimento universal, está presente por seu poder a tudo aquilo que move, quer dizer, a todo o universo.
§ 2.   Prova pela causalidade
206      1.    O argumento.
a)         Há uma Causa absolutamente primeira. Na prova pelo movimento, colocando-nos do ponto-de-vista do vir-a-ser fenomenal. Aqui, encaramos a causalidade propriamente dita. Tudo o que se produz, como dissemos, é produzido por outra coisa (senão, o que é produzido seria causa de si mesmo, quer dizer, anterior a si, o que é absurdo). Concluímos daí, por exclusão da regressão ao infinito, que há uma Causa absolutamente primeira, fonte de toda causalidade.
b)         Esta Causa primeira é transcendente, a todas as séries causais. Em outras palavras, ela não pode ser um elemento da série das causas. Com efeito, se ela não fosse mais do que o primeiro elemento da série causai, seria necessário explicar como este primeiro elemento teria começado a ser causa, quer dizer que, em virtude do princípio de que nada se produz a si mesmo, seria necessário recorrer a uma causa anterior a que se desejaria considerar como primeira, o que é contraditório. É preciso, então, necessariamente, que a Causa primeira transcenda (quer dizer, ultrapasse absolutamente e domine) todas as séries causais, que ela seja causa por si, incausada e incriada.
2. Objeção. — Tem-se pretendido muitas vezes opor a este argumento a hipótese de uma causalidade circular, quer dizer, de uma causalidade recíproca dos elementos do universo, em que a matéria se transformasse em energias diversas, para voltar em seguida a seu estado original e assim por diante, indefinidamente (hipótese defendida por  certos  filósofos   gregos, que  não tinham a noção de criação, e, entre os modernos, por Nietzsche).
Ora, mesmo que se encontrasse um fundamento para esta hipótese, ela não alteraria em nada o alcance da prova pela causalidade : que a evolução seja circular ou linear, isto não se refere senão à transmissão, e não à fonte de causalidade. Ficaria por explicar a existência do Universo, concebido  como  um Todo.
§ 3.    Prova pela existência de seres contingentes
207 1. O argumento. — Esta nova prova parte do fato de que o mundo físico é composto de seres contingentes, quer dizar, de seres que são, mas poderiam não ser, pois estes seres, ou nós OS vimos nascer, ou então a ciência nos mostra que eles foram formados, ou ainda a sua composição exige, para explicá-los, uma causa de sua unidade.
Ora, os seres contingentes não possuem em si mesmos razão de sua existência. Com efeito, um ser que tivesse em si, quer dizer, na sua própria natureza, a razão de sua existência, existiria sempre e necessariamente. Os seres contingentes devem, portanto, ter, num outro, a razão de sua existência, e, este outro, se também é contingente, também tem a sua num outro. Mas não é possível prosseguir assim ao infinito: de ser em ser, devemos chegar, afinal, a um ser que tenha em si mesmo a razão de sua existência, quer dizer, a um ser necessário, que exista por si, e pelo qual todos os outros existam.
Este ser necessário, que existe por sua própria natureza, e que não pode não existir, é Deus.
2. Objeção panteísta. — Os panteístas admitem, efetivamente, este raciocínio, mas não a sua conclusão. Para eles, o ser necessário não seria um Deus pessoal, mas o próprio mundo, tomado no seu conjunto, e concebido por eles como um ser único e infinito.
Mas esta doutrina vai, evidentemente, contra a razão. Com efeito, o todo, que é a soma das partes, não pode ser de uma natureza diferente das partes. Ora, o mundo é composto de seres contingentes. Logo, ele também é contingente e, assim como cada uma das suas partes, não existe por si mesmo. Portanto, sua existência, para ser inteligível, postula a existência de um ser que existe por si e que é Deus.
§ 4.    Prova pelos  graus de perfeição dos seres
208      1.    O argumento.  — Parlamos do  aspecto de beleza   que as coisas manifestam diferentemente. Diremos: se a beleza se encontra em diversos seres segundo graus diversos, é necessário que ela seja produzida neles por uma causa única. É impossível que esta qualidade comum a seres múltiplos e diversos pertença a estes seres em razão de sua própria natureza, pois, do contrário, não se compreenderia por que a beleza se encontraria neles, ora em maior, ora em menor quantidade. Eles seriam esta beleza por sua própria essência, quer dizer, necessariamente a possuiriam perfeita, sem limite, nem restrição. O fato de que há diferentes graus de beleza obriga então a que os diversos seres em que descobrimos estes graus participem simplesmente de uma Beleza que existe fora e acima desta hierarquia de beleza, e que é a Beleza absoluta e infinita.
Este argumento se aplicaria validamente a todas as perfeições ou qualidades, que podem ser levadas ao absoluto: ser, unidade, verdade, bondade, inteligência e sabedoria. O primeiro Princípio deve, então, ser necessariamente Ser perfeito, Unidade absoluta, Verdade, Bondade, Beleza, Inteligência e Sabedoria infinitas.
2. Alcance do argumento. — Este argumento não exige, apenas, uma Beleza ideal, mas uma Beleza subsistente, nem, apenas, uma Verdade ou uma Bondade ideal, mas uma Verdade e uma Bondade subsistente (e assim por diante para as outras perfeições), quer dizer que ele conduz, como os argumentos precedentes, a um Ser que existe em si e por si, e que é, por essência, Verdade, Bondade, Beleza, Unidade etc, absolutas e infinitas.
É que este argumento, como os precedentes, também é investigação de uma razão de ser, a saber, investigação da razão ou da causa da semelhança ou hierarquia dos seres compostos. Sob esse aspecto, estabelece que os seres que possuem graus desiguais de perfeição não têm  em  si mesmos a razão última  desta perfeição, e que esta não pode explicar-se senão por um Ser que a possui absolutamente e essencialmente, enquanto que todo o resto a possui apenas por participação.
§ 5.    Prova pela ordem do mundo
209      1.    O argumento.
a)         Princípio do argumento. A prova pela ordem do mundo (ou argumento das causas finais) se apóia no princípio de finalidade, e toma a seguinte forma: a organização complexa, objetivando um fim, exige uma inteligência ordenadora. Com efeito, apenas a inteligência pode ser razão da ordem, quer dizer, da organização dos meios objetivando um fim, ou dos elementos tendo em vista o todo que compõem: os corpos ignoram os fins e, por conseguinte, se os corpos ou os elementos corporais conspiram em conjunto, é necessário que sua organização tenha sido obra de uma inteligência.
b)         Forma do argumento. O argumento parte do fato da ordem universal. Esta ordem é evidente: considerado no seu conjunto, o universo nos aparece como uma coisa admiràvelmente ordenada, em que todos os seres, por mais diferentes que sejam, conspiram para um fim comum, que é o bem geral do universo. Por outro lado, cada um dos seres que compõem o universo manifesta uma finalidade interna, quer dizer, uma exata apropriação de todas as suas partes, objetivando o bem deste mesmo ser.
Ora, esta ordem é inteligível unicamente pela existência de um princípio inteligente, que ordena- todas as coisas a seu fim, e ao fim do todo que elas compõem. É isto que resulta do princípio1 demonstrado mais acima. Ê necessário, então, admitir que existe uma Causa ordenadora do universo.
210      2.    Objeções.
a) O argumento não conduziria, a ima Inteligência infinita. É a objeção de Kant. O mundo, diz ele, não é infinito, e, se, de fato, é necessário uma inteligência ordenadora para explicar sua unidade interna, seria suficiente, a rigor, uma inteligência de um poder seguramente prodigioso,  mas não formalmente infinito.
A objeção não procede, pois incide no erro de supor que a ordem do mundo resultaria de uma simples arrumação de materiais preexistentes. Neste caso, uma inteligência não infinita seria uma explicação suficiente da ordem do mundo. Mas tudo muda de figura se a ordem não é mais do que um aspecto do ser, sendo uma ordem interna, que resulta da essência e das propriedades-mesmas das coisas, ainda mais que o autor da ordem é, necessariamente, por isto mesmo, o criador do ser universal, a um tempo.. Poder infinito e Inteligência infinita.
b)    Fruto do acaso. É difícil negar que a ordem reine no mundo. Mesmo os ateus não o contestam. Mas para escapar à conclusão do argumento, afirmam que a ordem do mundo pode ser explicada pelo acaso. O mundo atual, dizem eles, é o produto de forças inconscientes e fatais; passou por fases extremamente diferentes da que conhecemos, e esta não se perpetuou a não ser graças à harmonia que estas forças misteriosas acabaram por gerar fortuitamente.
É fácil ver que esta explicação é, na realidade, fuga de uma. explicação. O acaso tem por caracteres a inconstância e a irregularidade, o que é o contrário mesmo da ordem. O acaso pode, a rigor, explicar uma ordem acidental e parcial, mas não uma ordem que governa inumeráveis casos, e que se perpetua, seja no interior dos seres, seja em suas relações mútuas, com uma constância invariável.
c)    A evolução. Invocou-se, também, a evolução, para explicar a ordem do mundo. Mas a evolução, longe de estabelecer a ordem, a supõe, uma vez que se faz de acordo com leis e leis necessárias. A evolução exige, portanto, de forma absoluta, uma inteligência. É que as causas eficientes não excluem de forma alguma as causas finais: ao contrário, o mecanismo não tem sentido, ou mesmo existência, senão pela finalidade. Por isso, que as causas que podem explicar a evolução dos seres do universo não fazem mais do que obedecer a uma idéia, imanente, e, por conseguinte, supõem a existência de uma ordem anterior e superior a elas.


Curso de Filosofia – Régis Jolivet

quarta-feira, 27 de julho de 2011

CONCLUSÕES DA PARAPSICOLOGIA

  • Existem Fenômenos Parapsicológicos causados pelo Inconsciente das pessoas.
  • Os Fenômenos Parapsicológicos sempre são espontâneos, incontroláveis e involuntários.
  • Os Fenômenos Parapsicológicos não são um Dom, e sim um Desequilíbrio, que precisa ser tratado, podendo causar, se forem "estimulados", distúrbios neurológicos graves.
  • Os Fenômenos nunca devem ser estimulados , ou tentar desenvolvê-los ou treiná-los, como afirmam muitas pessoas; pois estimulando nosso Inconsciente a tomar o lugar do Consciente, pode-se causar despersonalização, distúbios de Personalidade (como Dupla ou Múltiplas Personalidades), Neuroses, Parafrenias, etc.
  • Os fenômenos aparentemente"inexplicáveis" de casas mal assombradas, batidas, movimento de objetos, fantasmas, fogo, pedras, etc... são causados pela Telergia de algum morador, de modo inconsciente, talvez por um problema psicológico.
  • Não há de forma alguma, Comunicação de qualquer espécie, de Espíritos com Vivos.
  • A Telergia só atua a no máximo 50 metros. DESAFIO: Retirem os moradores (pois é a telergia de algum morador dirigida pelo Inconsciente dele que está causando o fenômeno)  da casa "mal assombrada"; instalem filmadoras, microfones e sensores; e NADA ACONTECERÁ...
  • É importante ressaltar que a  Parapsicologia científica, não atribue fenômenos aos espíritos de mortos, pelo contrário, refuta totalmente a comunicação dos mortos, analisando, explicando e provando o poder do nosso próprio INCONSCIENTE. 
  • A PARAPSICOLOGIA não nega que existem fenômenos tais como: telepatia, precognição ( conhecer o futuro), ou Telecinesia, ( movimento de objetos); e sim os estuda e explica como sendo causados não por espíritos , demônios, duendes, bruxas, Ets, orixás, ou qualquer que seja a entidade (ou paranóia) ; e sim são causados por nosso próprio INCONSCIENTE (dos vivos e nunca dos mortos) .
  • O curandeiro na verdade não cura nada.  Ou a pessoa se sente curada pela auto-sugestão (perigoso, pois tira-se a dor mas não tira a doença);  Ou a pessoa é "curada"de uma doença psico-somática que voltará mais tarde; pois atacou o efeito e não a causa (causas psicológicas). O necessário nestes casos é um tratamento psicológico/psiquiátrico.
  • A Parapsicologia também estuda os Milagres (também chamados de Fenômenos Supranormais). O Milagre é superior às leis(forças) da Natureza e não tem explicação científica (é superior). Deve ser estudado por todos os ramos da Ciência e a conclusão para ser um Milagre autêntico é de não ter explicação. Se tiver explicacão natural, não é Milagre.
  • A Parapsicologia não estuda a explicação de como são realizados os milagres; e sim estuda suas características e ambiente em que ocorrem. Com esse estudo se chegou a conclusões Fantásticas.

Conceito de Parapsicologia

É A CIÊNCIA QUE TEM POR OBJETO, A COMPROVAÇÃO E A ANÁLISE DOS FENÔMENOS, À PRIMEIRA VISTA INEXPLICÁVEIS, QUE APRESENTAM PORÉM, A POSSIBILIDADE DE SEREM RESULTADOS DAS FACULDADES HUMANAS

É A CIÊNCIA QUE ESTUDA OS FENÔMENOS CONSIDERADOS INCOMUNS, À MARGEM DO NORMAL; CASA MAL ASSOMBRADA; ESPÍRITOS; DEMÔNIOS; FEITIÇO; E ETC. COM RIGOR CIENTÍFICO.

ESCOLAS DE PARAPSICOLOGIA

    Distinguem-se quatro principais Escolas de Parapsicologia, melhor diríamos ramos da Parapsicologia segundo os seus objetos tradicionais ou preferenciais de investigação, especialização ou ensino: a Escola Materialista, a Escola Espiritualista, a Escola Eclética, e desta surgiu ou dela formando parte a importantíssima e imprescindível Escola Teórica. É claro que nos países onde prevalece cada Escola, há Parapsicólogos que seguem os rumos de outra Escola.
  A Escola Materialista era uma das Escolas de Parapsicologia antes ou até 1960. Predominava nos países da antiga “cortina de ferro”: Instituto de Fisiologia da Universidade de Leningrado, Centro de Estudos Parapsicológicos na Checoslováquia, cátedra e Instituto de Parapsicologia nas Universidades de Moscou e Leningrado, etc... Estudavam exclusivamente os Fenômenos Parapsicológicos que têm uma explicação fisiológica, fundamentando-se principalmente nas teses de Pavlov, e davam por suposto que todos os Fenômenos Parapsicológicos tinham que ser Extranormais (EN), ou seja, depende dos sentidos.. Hoje podemos dizer que a Escola Materialista não mais existe, estudam também e admitem  os Fenômenos Paranormais, que não depende dos sentidos (PN), integrando-se na Escola Eclética, não ainda, ou poucos dos seus membros, na Escola Teórica.
 A Escola Espiritualista ou Escola Norte-Americana deveria considerar-se simplesmente como outro ramo da Parapsicologia, mas lamentavelmente seus membros se caracterizam por ignorar as outras Escolas e autoconsideram-se os únicos (?) Parapsicólogos existentes no mundo.
  Foi iniciada pelo Dr. McDougal e desenvolvida pelo Dr. Rhine na Universidade Duke, Durham, Carolina do Norte. Entre os pioneiros desta Escola há que citar também os Drs. Pratt, Pearce, Zener... e tantos outros, que se dedicaram à investigação na base de Experiências Quantitativas, por estatística matemática, em laboratório.
 O mérito desta Escola é duplo: 1- pela mesma metodologia materialista aceita e proclamada como única (?) científica pela quase totalidade das universidades de hoje, 2- haver demonstrado que existe no homem uma faculdade paranormal (PN), extrasensorial, espiritual: ESP ( e pretendidamente também a inexistente Psi-Kappa -PK). É por isso que também é chamada Escola Espiritualista.
  A Escola Norte-Americana é sem dúvida  a mais difundida e conhecida, além de pela propaganda norte-americana, também precisamente pelo exclusivismo metodológico empregado na pesquisa. E por isso deve-se também a ela que a Parapsicologia haja sido reconhecida internacionalmente por muitos  cientistas e instituições científicas estabelecidas.
  Isto é, em vez de libertar a Parapsicologia, como se pretendeu desde sua fundação em 1882, para o estudo os Casos Espontâneos ou provocados, ao menos na intenção dos  seguidores do Espiritismo, Ocultismo, Magia, etc, muitos ou todos supostamente Supranormal - SN como eram considerados antes do estudo, a Escola Norte-Americana escravizou a sua Parapsicologia aos métodos tradicionais no estudo da matéria e da sua regularidade.
  A Escola Eclética ou Escola Européia, junto com a Escola Teórica que dela forma parte, é sem dúvidas a melhor Escola, imprescindível, a verdadeira e importantíssima Parapsicologia.
  É designada eclética porque os seus corifeus se debruçaram não só sobre os Fenômenos EN como os da Escola Materialista, nem só sobre os Fenômenos PN como os da Escola Espiritualista, senão tanto sobre os Fenômenos EN como sobre os PN e ainda, desde o inicio, sobre os Fenômenos Supranormais -SN. Todos os Fenômenos Parapsicológicos, antes e quando a Parapsicologia começava, eram considerados SN. A pesquisa demonstrou que muitíssimos eram falsamente SN: em ambiente de Espiritismo, de Demonologia, de Seitas, de Curandeirismo, etc.;  e outros verdadeiramente SN: muitos, e só em ambiente religioso divino. Observar o ambiente também pertence à ciência de observação...
   Desde o inicio seus representantes souberam compreender os três tipos de ciência: 1.- A menos importante, mas fundamento de qualquer outra ciência: ver, observar, experimentar: as ciências de observação ou da  experiência. 2.- Mais importante  que ver é o raciocínio, diferenciar, deduzir... Filosofia. Mas sobre a base da experiência, se não seria sofisma e não Filosofia. 3.- E a ciência mais importante, a Teologia, a palavra de Iahweh, mas antes pertence às ciências de observação demonstrar o fato da Revelação, do contrário não seria Teologia, senão invencionices, Superstições ou “teologúmena” como depreciativamente dizia o famoso teólogo e grande Parapsicólogo Pe. Karl Rhaner S. J.
 Dadas as peculiares Características do Fenômeno Parapsicológico, muito justamente os membros desta Escola, por cima das Experiências Quantitativas dão preferencia e mais  importância às Experiências Qualitativas e à coletânea e análise de Casos Espontâneos.
  Desta Escola Eclética são todos os pioneiros da Parapsicologia inclusive já antes da fundação da SPR -Society for Psychical Research,  seguida principalmente pelos investigadores europeus, donde surgiu a denominação de Escola Européia. 
  Há que distinguir e destacar dentro desta Escola Eclética ou Européia um grupo de elite, a chamada Escola Teórica. Desenvolve um trabalho preferentemente de compilação, revisão, classificação, dedução de conseqüências e implicações, etc... das experiências e observações de todas as Escolas e Parapsicólogos.
 Trabalho fundamental, e que evita distorções e erros de interpretação em investigadores que podem ser excelentes experimentadores e observadores e, lamentavelmente, também costumam ser péssimos filósofos, piores teólogos e de admirável incultura quando saem da sua especialidade por vezes limitadíssima.
   Nesta Escola Teórica há nomes tão importantes como Mirville, Guénon*, Hodgson, Heredia, Morselli, Tocquet, Thurston, Omez, Quevedo, Kloppenburg, Roure,  Palmés, Zacchi, Alfano, Silva Melo, etc., etc. Homens de admirável cultura global, como é necessário, em tudo o relacionado e que interessa  à Parapsicologia. Nela há que incluir e destacar  o mestre inigualável  de todos os Parapsicólogos,  Papa Bento XIV.